Fightrade Blog

Doo Ho Choi vs Patricio Pitbull — Como o Superboy Coreano vence no UFC 331

Doo Ho Choi lutou três vezes desde que voltou e venceu as três. Depois chamou Patricio 'Pitbull' Freire, o homem que dominou duas divisões do Bellator ao mesmo tempo. O desafio foi aceito: os dois se encontram no UFC 331, no sábado 19 de setembro, na Crypto.com Arena, em Los Angeles.

Este texto não aponta um vencedor. Ele organiza o que o Pitbull faz bem, onde ele fica exposto e qual caminho abre essa brecha para Choi. O palpite é seu.

19 de setembro em Los Angeles — Choi busca a quarta seguida

A luta está acertada no peso-pena, em três rounds de cinco minutos. No momento aparece no card preliminar, mas o UFC 331 tem apenas sete lutas anunciadas e a ordem ainda pode mudar.

O caminho até aqui importa. Depois de finalizar Daniel Santos no segundo round em maio de 2026, Choi chamou o Pitbull diretamente, e o pedido foi atendido dois meses depois. No papel era ousado: no ranking oficial do UFC, Pitbull é o 15º do peso-pena e Choi está fora do top 15. Um lutador sem ranking chamou um ranqueado — e uma vitória o coloca direto na lista.

A luta principal da noite, segundo a imprensa, será Charles Oliveira contra Arman Tsarukyan pelo cinturão BMF. Ainda assim, trata-se de informação de imprensa, sem anúncio oficial do UFC.

O Choi de hoje — três seguidas após 526 dias parado

Choi começou no UFC com três nocautes seguidos no primeiro round e parecia a maior promessa da divisão. Sua luta com Cub Swanson no UFC 206, em 2016, foi eleita a do ano e entrou no Hall da Fama do UFC em 2022. Depois vieram derrotas, serviço militar e lesões.

O lutador que voltou é outro. Um empate com Kyle Nelson em 2023 tirou a ferrugem, e vieram os nocautes técnicos sobre Bill Algeo e Nate Landwehr. Contra Daniel Santos, em maio de 2026, perdeu o primeiro round e ainda assim virou no segundo, levando o bônus de Luta da Noite. Seu cartel é 17-4-1, com 14 finalizações por nocaute.

A mudança está no fôlego. Seu córner, comandado por Chan Sung Jung, observou que o Choi antigo teria desmoronado naquele tipo de desgaste. Defender as seis quedas tentadas por Santos vem do mesmo lugar.

Quem é o Pitbull — o terceiro ano no UFC de um bicampeão do Bellator

Patricio Freire é o lutador mais vitorioso da história do Bellator: cinco reinados no peso-pena, dois no leve e um nocaute sobre Michael Chandler que o fez campeão simultâneo de duas divisões. Um cartel de 37-9 representa uma era inteira.

O capítulo no UFC tem sido mais duro. Perdeu a estreia para Yair Rodriguez por decisão em abril de 2025, venceu Dan Ige nos cartões em julho e voltou a perder, para Aaron Pico, em abril de 2026 — 1 vitória e 2 derrotas no UFC.

A idade também pesa. São 39 anos, com histórico de lesão no pescoço. Dito isso, ele nunca foi finalizado, e nenhuma leitura honesta desse lutador ignora esse dado.

A arma do Pitbull — o contragolpe construído sobre a espera

O jogo do Pitbull começa admitindo a desvantagem de alcance. Ele não entra primeiro. Fica no centro e espera o adversário cruzar para dentro do seu alcance antes de soltar as mãos. Poderia misturar clinche e luta agarrada, e recusa — uma disciplina que analistas dizem não conseguir sustentar.

São três ferramentas concretas. Primeira: quando o adversário chuta as pernas ou o corpo sem preparação, ele encaixa o direto por cima da trajetória do chute — uma armadilha letal contra quem chuta sem cuidado. Segunda: recua exatamente o necessário para o golpe passar e volta imediatamente ao próprio alcance, sem desperdício no jogo de pernas. Terceira: no curto, a combinação de gancho e direto é rotina fixa, e quando pega fogo ele despeja golpes no corpo, joelhadas e cotoveladas.

Some a guilhotina contra a queda. Ele prende o pescoço no tempo do duplo e busca com frequência a versão saltando. Junte os chutes acumulados na panturrilha da perna da frente, que matam a movimentação do adversário, e o estilo de contragolpe começa a fazer sentido.

As brechas — volume, alcance, trajetórias atípicas

O preço do contragolpe é o volume. Ele não inicia, então se o adversário não aceitar a troca o round esvazia. É assim que ele perde: não por ser finalizado, mas por ficar atrás nos cartões.

Um adversário mais longo, que fique desestabilizando a base com chutes internos e no corpo enquanto trabalha o jab, o deixa sem ponto de entrada. A força dele vem das pernas, então atacar joelho e coxa para derrubar essa fundação é o caminho clássico.

O tempo do contragolpe também pode ser induzido. Fintar a entrada puxa a direita antes da hora ou deixa ver o momento em que ele a carrega. E, embora leia bem a batida linear e honesta, demora a responder a trajetórias atípicas — Sergio Pettis o acertou repetidamente com chutes rodados e joelhadas voadoras.

As três chaves da luta

Primeira: Choi consegue puxar o volume? O Pitbull esvazia rounds contra adversários passivos. O jab pesado que Choi mostrou contra Santos — não um jab de medir distância, mas forte o bastante para impedir o recuo — o colocaria à frente nos cartões.

Segunda: a direita de Choi é previsível? O próprio Chan Sung Jung disse que não faz sentido enfrentar Choi sem se preparar para ela, ou seja, a arma está exposta. O Pitbull também contra-ataca por cima das trajetórias de chute. Bater apenas em linha reta é o caminho perigoso; fintas e mudanças de ângulo são obrigatórias.

Terceira: o formato de três rounds. Sem quarto e quinto, um começo ruim é quase fatal. Choi virou uma luta depois de perder o primeiro round contra Santos, mas Santos apagou. Se um veterano de 39 anos que nunca foi finalizado vai apagar do mesmo jeito é outra história — e se o poder de Choi pegar uma vez, nenhuma dessas contas importa.